Campeão olímpico em 2004, Stefano Baldini disputa a Maratona de Atenas

Stefano Baldini beija a medalha da Maratona de Atenas 2019
Stefano Baldini beija a medalha da Maratona de Atenas 2019

No último domingo (10/11), o campeão da maratona das Olimpíadas de Atenas, em 2004, voltou ao palco que lhe garantiu sua maior conquista na carreira. O italiano Stefano Baldini participou da 37ª edição da Maratona de Atenas e fechou o lendário percurso entre a cidade de Maratona e Atenas, em 2h57m07s, terminando na 99ª colocação. Há 15 anos, aos 33 anos, Baldini cruzou a linha de chegada no Estádio Panatenaico em 2h10m55s. Em segundo lugar ficou o americano Meb Keflezighi, com 2h11m29s, e, em terceiro, o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, com 2h12m11s, que liderava a prova até o Km 36, quando foi atacado por um fanático religioso.

– A emoção de cruzar a linha de chegada é a mesma de há 15 anos. Já estive em Atenas muitas vezes desde 2004, mas essa é a primeira vez que participo da maratona – diz o campeão olímpico, de 48 anos.

Italiano só queria curtir o percurso da Maratona de Atenas

Dono de dois títulos da maratona europeia, em 1998 e 2006, e de dois bronzes no Campeonato Mundial, Baldini diz que a mente continua a mesma de seu auge como atleta, mas o corpo não. Ele se mantém ativo fisicamente, mas não com o mesmo volume do passado.

– Eu corro não mais de 30km nos treinos. Para essa prova, eu estava focado na segunda parte, não para marcar tempo, mas para aproveitar o percurso, o mesmo das duas maratonas sediadas em Atenas, em 1896 e 2004 – afirmou o italiano, também lembou que a maratona surgiu após Fidípides ir de Maratona até Antenas para avisar da vitória grega sobre os persas, em 490 antes de Cristo. – Curti principalmente os últimos 10km, que em 2004 foram absolutamente maravilhosos para mim.

Stefano Baldino nos metros finais da Maratona de Atenas 2019
Stefano Baldino nos metros finais da Maratona de Atenas 2019

A conquista do queniano Eluid Kipchoge, que no mês passado correu a distância de uma maratona em 1h59m40s, em Viena, impressionou Baldini. O italiano acredita que será possível baixar das 2 horas numa maratona tradicional.

– Atualmente existe apenas um homem capaz de poder correr abaixo de 2 horas. É justamente o Eliud – afirma o campeão olímpico. – Ele pode fazer isso porque terminou o desafio em Viena com muito poder, muita energia. Eu sei que uma coisa é correr em Londres ou Berlim, Roterdã ou Dubai. Mas acho que ele entendeu em Viena que tudo é possível. Quebrar as duas horas nessas condições está no mesmo nível de um recorde mundial em Berlim. Ele possivelmente quebrou a barreira mental e, com isso, ele pode tentar correr uma maratona abaixo das 2 horas. Eu não sei quando será, porque no próximo ano serão as Olimpíadas e ele já tem 35 anos. Mas ele hoje é o único, para mim, que pode quebrar essa barreira.

Prova bate recorde de participantes

Apesar da crise econômica na Grécia, a Maratona de Atenas, a Autêntica (como é chamada pelos organizadores) teve cerca de 60 mil corredores, um recorde de participantes. Uma das novidades deste ano foi a mudança da prova de 10km para o Centro de Atenas, para a noite de sábado. Isso levou Kostas Panagopoulos, presidente da Federação de Atletismo, em considerar outras ambições para 2020.

– A corrida de 10km é o primeiro passo para outras novidades. Agora é importante desenvolver a infraestrutura do início da maratona – disse o dirigente. – As coisas estão melhorando gradualmente para nós
financeiramente e isso pode permitir que a Maratona de Atenas cresça ainda mais, e, consequentemente, as nossas outras corridas, especialmente a meia maratona.

A vitória na Maratona de Atenas foi do queniano John Kipkorir Komen, em 2h16m34s. Em segundo lugar ficou o ruandês Félicien Muhitira, com 2h16m43s, seguido pelo grego Konstantinos Gkelaouzos, com 2h19m02s. No feminino, o pódio foi grego. A campeã foi Eleftheria Petroulaki, com 2h45m50s, seguido por Asimakopoulou Aikaterini, com 3h02m31s, e por Vlachaki Panagiota, com 3h04m27s.

Cento e dez brasileiros participaram da prova. O melhor deles foi Marco Cruz, com 3h14m19s, terminando na 394ª posição. A melhor brasileira foi Adriana Buratto, com 3h41m48s, ficando na 112ª entre as mulheres.

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Sobre Iúri Totti 983 Artigos
Iúri Totti é jornalista, com mais de 30 anos de experiência na grande imprensa, principalmente na área de esportes. Foi o criador das sessões “Pulso” e “Radicais” no jornal O Globo. Tem 13 maratonas, mais de 50 meias maratonas e dezenas de provas em distâncias menores. "Não me importo em ser rápido. A corrida só precisa fazer sentido, dar prazer."

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