Quenianos Paul Kimutai e Leah Jerotich são campeões da Maratona Internacional de São Paulo

Largada da 23ª edição da Maratona Internacional de São Paulo, no Ibirapuera. Foto: Cine Del Vale/Divulgação
Largada da 23ª edição da Maratona Internacional de São Paulo, no Ibirapuera. Foto: Cine Del Vale/Divulgação

Com o tempo de 2h17m56s, o queniano Paul Kimutai, que no ano passado marcou 2h17m14s, tornou-se bicampeão da Maratona Internacional de São Paulo, disputada hoje, na capital paulista, com a participação de 18 mil atletas nas distâncias de 42km, 24km, 8km e 4km.  Em segundo lugar ficou Edson Amaro Arruda dos Santos, com 2h21m40s, seguido por Franck Caldeira, com 2h21m53s, Wellington Bezerra da Silva, com  2h22m37s, e Francisco Ivan da Silva Filho, com 2h24m54s.
 No feminino, a vitória foi da queniano Leah Jerotich, com 2h41m58s, em sua estreia nos 42km pelas ruas paulistas. Além dela, o Quênia ficou com a segunda e terceira colocações, com Priascilla Lorchima, em 2h51m04s, e Christine Chepkemei, em 2h52m33s, respectivamente. O pódio foi completado por duas brasileiras. Em quarto lugar ficou a veterana Marizete Moreira dos Santos (Brasil), com 2h55m51s, seguida por
Simone Ponte Ferraz, com 2h56m58s.
O queniano Paul Kimutai cruza a linha de chegada da Maratona Internacional de São Paulo e conquista o bicampeonato, com o tempo de 2h17m56s. Foto de Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação/Divulgação
 Paul Kimutai não teve vida fácil na Maratona de São Paulo, sendo acompanhado de perto pelos maratonistas brasileiros. Somente no Km 30 o bicampeão da prova começou a ter vantagem sobre os adversários. A partir daí, ditou um bom ritmo para cruzar a linha de chegada com mais de 4 minutos de vantagem sobre o brasileiro Edson Amaro Arruda dos Santos.
“Estou feliz por defender e manter o título. Agora sou o bicampeão. Mas não foi fácil. Estava calor e isso dificultou bastante. Depois do km 30, quando assumi mesmo a liderança, comecei a gostar mais da prova, curti o percurso e fui administrando para vencer”, contou Kimutai.
O baiano Eduardo, de 32 anos, estava satisfeito com o segundo lugar:
“Fiz um trabalho específico para essa prova. Estava num ritmo tranquilo e revezava a liderança, quando o Wellington começou a forçar e puxar mais. Foi aí que eu senti um pouco, porque estava fugindo do meu ritmo. Tive que diminuir e voltar para o meu pace. Depois do Km 32 eu comecei a crescer aos poucos na prova, porque voltei a fazer o que havida treinado. Superei o Wellington faltando 1,5km para o fim e vim na raça. Em 2015 eu fiquei em quinto, ano passado não vim para a prova, e agora retornei bem. Estou muito feliz”.
Estreante na Maratona Internacional de São Paulo, a queniana Leah Jerotich venceu com o tempo de 2h41m58s. Foto de Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação/Divulgação
Se o compatriota teve alguma dificuldade, Leah Jerotich não deu chances para as adversárias e dominou a disputa feminina. A atleta de 29 anos impôs um bom ritmo nos primeiros 20 quilômetros, quando conseguiu se distanciar das suas adversárias e passou a liderar a prova. Sem sofrer ameaças, administrou a vantagem para ser campeã.
“Estou feliz com o resultado. É minha primeira participação nesta prova e já consegui esse resultado. O clima úmido me incomodou um pouco, especialmente no começo. Também senti dificuldade por conta do percurso, caracterizado por muito sobe e desce”, disse Leah.
Aos 42 anos, a veterana Marizete ficou satisfeita com seu quarto lugar, dedicando a colocação à memória do pai, falecido há quase um ano.
“Me sinto lisonjeada de chegar, aos 42 anos, e ainda estar correndo neste nível. É muito gratificante. Foi uma prova muito boa. No km 21 já estava em quarto e fui só mantendo e graças a Deus consegui o resultado. Esse ano a prova aconteceu mais cedo no calendário, então minha preparação teve que ser acelerada. Também passei pela perda do meu pai, e o emocional acaba interferindo um pouco, acho que o treinamento não rendeu tanto, mas faz parte. Estou feliz, e dedico esse resultado ao meu pai e a todos que torceram por mim”, concluiu a atleta bicampeã da Maratona, e que foi a última brasileira a vencer, em 2009 e 2010.
A Maratona Internacional de São Paulo contou com um convidado de honra: Vanderlei Cordeiro de Lima, dono do recorde da prova, com o tempo de 2h11m19s, em 2002. O ex-maratonista, medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004, e responsável por acender a pira olímpica nos Jogos Rio-2016, foi o padrinho da disputa deste domingo.
“Ser o padrinho desta disputa é muito gratificante. Meu tempo, em 2002, recorde da prova, foi fruto de muito trabalho e planejamento focado no desempenho. Mas acredito que seja importante para o evento que alguém supere esse tempo. Sigo na torcida para que isso seja feito por um brasileiro”, disse Vanderlei.
A 23ª Maratona Internacional de São Paulo, assim como aconteceu na Meia Maratona de São Paulo, contou com diversas dinâmicas para coibir a presença de “pipocas”, como o controle de acesso mais rigoroso, intensa comunicação pelas redes sociais, comunicação estática ao longo do percurso, destacando que os serviços são para o corredor devidamente inscrito. Tais ações permitiram diminuir bastante a presença de “pipocas”, garantindo a qualidade e estrutura do evento para os atletas inscritos. Esse trabalho será continuado de forma significativa nas demais provas da Yescom.
Resultados
Masculino: 1) Paul Koech Kimutai (Quênia), 2h17m56s; 2) Edson Amaro Arruda dos Santos (Brasil), 2h21m40s; 3) Franck Caldeira de Almeirda (Brasil), 2h21m53s;
4) Wellington Bezerra da Silva (Brasil), 2h22m37s; e 5) Francisco Ivan da Silva Filho (Brasil), 2h24m54s.
Feminino: 1) Leah Jerotich (Quênia), 2h41m58s; 2) Priscilla Lorchima (Quênia), 2h51m04s; e 3) Christine Chepkemei (Quênia), 2h52m33s; 4) Marizete Moreira dos Santos (Brasil), 2h55m51s; e 5) Simone Ponte Ferraz (Brasil), 2h56m58s.
Cadeirantes
Masculino: 1) Leonardo de Mel (Edvandro Júnior), 1h46m14s; e 2) Wellington de Souza Junior (Smafel), 3h12m12s.
Feminino: 1) Aline dos Santos Rocha (Jumper TAM),  2h00m30s; e 2) Vanessa de Souza (Fast Wheels), 2h11m02s.

COMPARTILHE
Sobre Iúri Totti 1379 Artigos
Iúri Totti é jornalista, com mais de 30 anos de experiência na grande imprensa, principalmente na área de esportes. Foi o criador das sessões “Pulso” e “Radicais” no jornal O Globo. Tem 13 maratonas, mais de 50 meias maratonas e dezenas de provas em distâncias menores. "Não me importo em ser rápido. A corrida só precisa fazer sentido, dar prazer."