Maratona de Boston tem sua edição mais exigente

Maratona de Boston tem o maior corte de inscritos de sua história
Maratona de Boston tem o maior corte de inscritos de sua história

Quem quer participar da Maratona de Boston, considerada a mãe das maratonas, sabe que tem que dar algo mais para estar na linha de largada. E em um ano de pandemia da Covid-19, o sarrafo subiu bastante na exigência por um tempo de classificação suficiente para garantir o número de peito.

Cancelada no ano passado por causa da pandemia _ a primeira interrupção em 124 anos _ a 125ª edição da Maratona de Boston teve uma redução de 10 mil em seus inscritos, passando de 30 mil, número de 2019, para 20 mil. Esse limite foi definido para garantir o distanciamento social ao longo do percurso da corrida e, principalmente, na largada e na chegada.

Para poder comportar esses corredores que vão largar em Hopkinton, em dia 11 de outubro, o tempo de corte foi maior. O sarrafo na exigência do tempo de classificação subiu muito. Tanto que mais que dobrou em relação aos outros anos.

Tempo de 7h47s como divisor

Antes da pandemia, o corredor que pretendia largar em Boston, sabia que tinha seu tempo em uma maratona feita nos últimos 12 meses tinha que ter uma “gordura” entre 2 e 3 minutos abaixo parâmetros de qualificação estipulados pela Boston Athletic Association (B.A.A), organizadora da prova. Para este ano, só vai largar quem ficou a 7m47s do tempo máximo de sua faixa etária.

Em 2019, era preciso ter uma “gordura” de cerca de 2 a 3 minutos do tempo máximo exigido pela B.A.A para ter sua inscrição confirmada. Naquele ano, o tempo máximo exigido para um maratonista de 40 anos, por exemplo, era de 3h10m00s em uma prova de 42km realizada em 2018. Mas só correu em Boston que tinha o tempo abaixo de 3h08m21s.

Tempos de qualificação para a Maratona de Boston

IdadeMasculinoFeminino
18-343m00s3m30s
35-393m05s3m35s
40-443m10s3m40s
45-493m20s3m50s
50-543m25s3m55s
55-593m35s4m05s
60-643m50s4m20s
65-694m05s4m35s
70-744m20s4m50s
75-794m35s5m05s
80+4m50s5m20s

A Maratona de Boston sempre exigiu que seus participantes dessem um algo a mais para terem o direito ao número de peito da maratona mais antiga do mundo. Diferentemente das outras provas da World Majors Marathon, que reúne as seis principais maratonas do planeta (Tóquio, Londres, Berlim, Chicago e Nova York), sorte não conta, pois nem sorteio de vagas Boston tem. É preciso ter pernas rápidas e mente forte.

As inscrições terminaram no dia 23 de abril, com 23.824 pessoas se candidatando para a maratona. Deste total, 14.609 atletas tinham tempo de qualificação igual ou abaixo dos 7m47s. Com isso, mais de 9.200 corredores foram eliminados da Maratona de Boston. É o maior corte de atletas da história da prova. Os candidatos, de 88 países, estão em processo de verificação do seu desempenho qualificativo.

Apenas corredores de elite largarão em bloco. Os outros corredores largarão em ondas e apenas o tempo líquido será registrado.

Os participantes que tiveram seus tempos comprovados estão recebendo as confirmações. Quem não conseguiu se classificar tem até o dia 14 de maio para se inscrever na versão virtual da prova, que vai acontecer entre os dias com condições especiais. As inscrições para a corrida virtual da Maratona de Boston, que vai acontecer entre 8 e 10 de outubro, já estão abertas.

Para completar os 20 mil corredores, os outros inscritos serão convidados e participantes dos programas de caridade, que devem desembolsar cerca de US$ 5 mil. No ano passado, o programa sem fins lucrativos de John Hancock, patrocinador da Maratona de Boston há 36 anos, ultrapassou os U$$ 400 milhões, maior valor alcançado desde o início do programa de caridade em 1989 em Boston.

Para se qualificar para a Maratona de Boston de 2022, a organização estipulou o período de 1º de setembro de 2019 até a conclusão do período de inscrição para a prova do ano que vem, que vai ser anunciado em outubro deste ano.

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Sobre Iúri Totti 1099 Artigos
Iúri Totti é jornalista, com mais de 30 anos de experiência na grande imprensa, principalmente na área de esportes. Foi o criador das sessões “Pulso” e “Radicais” no jornal O Globo. Tem 13 maratonas, mais de 50 meias maratonas e dezenas de provas em distâncias menores. "Não me importo em ser rápido. A corrida só precisa fazer sentido, dar prazer."