Marilson é o novo integrante do Hall da Fama da Maratona de Nova Yok

Bicampeão, em 2006 e 2008, Marilson Gomes dos Santos entra para o Hall da Fama da Maratona de Nova York
Bicampeão, em 2006 e 2008, Marilson Gomes dos Santos entra para o Hall da Fama da Maratona de Nova York

Bicampeão da Maratona de Nova York, em 2006 e 2008, e um dos melhores fundistas do atletismo sul-americano de todos os tempos, Marilson Gomes dos Santos é o mais novo integrante do Hall da Fama da Maratona de Nova York, uma das mais celebradas e importantes provas do mundo. A cerimônia, aberta ao público, será nesta quinta-feira (31/10), no Central Park West, na altura da 67th Street.

– Estou honrado por fazer parte do seleto grupo de pessoas no Hall da Fama dos Corredores de Nova York. É como se eu tivesse ganhando a Maratona de Nova York pela terceira vez – disse Marilson, que viaja nesta quarta-feira para Nova York. – É um momento muito especial que vou amar por toda a minha vida. É muito legal receber esse reconhecimento pelo meu trabalho, por tudo que fiz. A sensação é de estar eternizado para a maratona.

Marilson surpreende em 2006

Com 2h09m58s, Marilson venceu a Maratona de Nova York em 2006, tornando-se a primeiro sul-americano a ganhar. Após analisar as características do percurso e dos principais adversários, o corredor e seu técnico Adauto Domingues planejaram a estratégia para a prova. Sabendo que seus rivais tinham como característica uma chegada mais forte que a sua, o brasiliense tentaria uma fuga na altura do Km 35. Mas isso acabou acontecendo antes. No Km 30, Marilson forçou o ritmo e escapou do pelotão. Como os adversários não responderam, ele abriu uma vantagem na liderança, que chegou a 38 segundos entre os Km 35 e 36. Quando os quenianos Paul Tergat e Stephen Kiogora resolveram reagir, o brasileiro já não podia ser alcançado.

Marilson comemora sua segunda vitória na Maratona de Nova York, em 2008. (Yohei Kamiyama)
Marilson comemora sua segunda vitória na Maratona de Nova York, em 2008. (Yohei Kamiyama/PhotoRunner)

Em 2008, Marilson quis mostrar que sua primeira vitória em Nova York não tinha sido por acaso. Já conhecido pelos adversários, o brasileiro teve que mudar de estratégia. Durante a prova, ele esteve no bloco que liderava a prova, que se manteve compacto até o Km 25, quando começaram as tentativas de fuga dos maratonistas. No Km 35, a liderança era dividida por Marilson e pelo marroquino Abderrahim Goumri. O brasileiro tentou escapar, mas não conseguiu. No Km 37, o africano abriu uma vantagem de 7 segundos. Após o Km 41, Marilson superou Goumri e garantiu a vitória com 2h08m44s.

Dono de recordes sul-americanos

Marilson ganhou cinco medalhas em Jogos Pan-Americanos e continua sendo o recordista sul-americano nos 5.000m, com 13m19s43, e dos 10.000m, com 27m28s12. Ele disputou as maratonas olímpicas de Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016, tendo como melhor resultado o quinto lugar em 2012.

Nas corridas de rua, o atleta treinado detém as melhores marcas sul-americanas dos 10km, com 27m48s, dos 15km, com 42m15s, dos 20km, com 56m32s, da meia maratona, com 59m33s, dos 25km, com 1h14m31s, e dos 30km, com 1h29m21s.

Marilson começou no esporte pelo futebol, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. Depois seguiu os passos do irmão Marco, passando a treinar atletismo. Casado com Juliana Santos, campeã pan-americana dos 1.500m, no Rio-2007, e dos 5.000m em Toronto-2015, é pai de Miguel. Juliana e Miguel também seguem para Nova York.

Além do brasileiro, os outros indicados para o Hall da Fama da Maratona de Nova York deste ano são o americano Meb Keflezighi, campeão em 2009, com 2h09m15s, a norueguesa Ingrid Kristiansen, campeã em 1989, com 2h25m30s, e a americana Mary Wittenberg, ex-presidente da New York Road Runners, organizadora da maratona, entre 2005 e 2015.

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Sobre Iúri Totti 982 Artigos
Iúri Totti é jornalista, com mais de 30 anos de experiência na grande imprensa, principalmente na área de esportes. Foi o criador das sessões “Pulso” e “Radicais” no jornal O Globo. Tem 13 maratonas, mais de 50 meias maratonas e dezenas de provas em distâncias menores. "Não me importo em ser rápido. A corrida só precisa fazer sentido, dar prazer."

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